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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Conto - ¡Libertad!

Inicio uma sessão de contos. Sempre quis fazê-lo. Alguns podem ser evidências do que vivo, do que vejo e do que vivi. Podem tocar a realidade. Podem ser apenas frutos da minha imaiginação. Ou desejos daquilo que eu quero que aconteça. Sei lá... Vai depender até onde quero chegar.
Espero que eu me saia bem com o primeiro!

**********

Era uma noite fresca de outono. Lá fora, o relógio marcava 15ºC. O tempo ajudou para que as pessoas saíssem de suas casas depois de muitos dias de chuva incansável. Ela luzia um vestido novo, cabelos soltos e sorriso constante. Estava animada com a hipótese de reencontrá-lo depois de muito tempo em silêncio e também depois de muitas lágrimas. Ela acreditava em alguma coisa, embora a sua razão dizia-lhe que nada mais havia entre eles. A ausência dele tornou-se suportável com o passar dos dias, das semanas, dos meses... Agora, ele era um esboço na sua cabeça. Sua imagem não era constante em seus pensamentos. Começava a apagar-se. E isso deixava-lhe triste. Ele foi importante. Agora, não é mais. Ele transformou-se num personagem da sua vida. Um personagem de um capítulo do livro que ela escreve, tal como esse conto.

Mas, era ele. E ele foi especial pra ela. Havia muita história presente. E isso não podia negar a ninguém. Passou seu perfume que ele adorava. Pintou os carnudos lábios. Estava segura de si.
Queria vê-lo. 

Estava feliz. Era outra mulher. Quase irreconhecível.

O encontro iniciou-se com um abraço. Um abraço apertado de quem sentia o outro como um todo. Sentiu o coração dele acelerado. Um abraço carregado de saudades. Reconheceram-se nele: o mesmo abraço que costumavam dar-se nas noites de quinta-feira quando se encontravam na estação de trem depois de uma semana inteira separados.

Ele ainda era o mesmo de sempre: a mesma roupa, o mesmo penteado, as mesmas queixas, as mesmas palavras, as piadas ridículas de sempre. Ele estava nervoso e isso era apreciado nas brincadeiras bobas. Ela o conhecia bem. Aquele inconfundível brilho no olhar ameaçava entregá-lo

Ele não dormiu a noite toda pensando nela.

Adoravam-se. 

Amavam-se. 

Entretanto, apesar da felicidade de vê-lo pela última vez, estava certa da força que sentia contra tudo aquilo que viveram. A história linda de ambos caiu naquele baú chamado lembranças. Agora tudo eram somente lembranças. Bonitas. Porém, somente lembranças. E ela estava decidida em não voltar atrás. Não podia.

Pior: não queria mais.

A conversa iniciou-se. Entretanto, ele notou alguma coisa de estranha no ar. Apesar de tudo, ele viu algo de diferente nela. Uma dorzinha no coração deu-lhe a resposta. Ela já não era a mesma. Já não era aquela que conheceu há anos. Estava linda como sempre. Seus cabelos negros e compridos denuciavam que ela se esmerou em cuidados para ele. Estava como sempre: engraçada e adorável. Sua pele morena estava cheirosa como nunca. Aquele sorriso que o enlouquecia seguia sendo o mesmo. Mas, aquela de antes, não estava ali.

O amor já não existia.
Ele reparou.

Sim, uma voz dizia-lhe que não. Que tudo passou. Tudo foi embora tal como chegou. A vida muda e a dela mudou nesse intervalo. Seus pensamentos já não lhe pertenciam.

O sofrimento fez-lhe vê-lo com outros olhos naquele encontro.

Ele estranhou.

Os sorrisos, apesar de sinceros, não lhe correspondiam. O coração não palpitava para ele. Estava acelarado por aquela situação que ela desejava ardentemente porque o amava. Ou porque acreditava nisso. Queria vê-lo antes de ir embora. Mas, não... Podia afirmar que não era mais amor. Era carinho.
Nada mais!

Ele dilacerou aquele coração tão emendado, tão doído e calejado. Ela, com ele, descobriu seu porto seguro. Ele, com ela, descobriu o que é viver em paz. Eram felizes.
O ponto final foi tão duro como aquele inverno.
Ela não acreditava.
Ele chorava.


A partir daí, ela precisou crer que sua vida tinha que seguir sem ele.
Foi difícil. 
Mas, conseguiu.

Hoje, ela aproveita a vida que agora é só dela.
Resgatou-se de dentro de si mesma.
Já são outros planos.
Outro país.
Outras pessoas.
Outros amores.

Agora, ele não é mais incrível.
E não quer mais escrever histórias com ele.
O capítulo encerrou-se ali, naquela noite.


************

Despediram-se com um abraço. Já não tão longo e nem saudoso. Era um abraço quase fraternal. Desejava-lhe sorte na vida. E ele, bom retorno a seu país.
A tristeza de vê-la distante assolou-o.

Ela seguiu adiante.
Vibrante.
E certa de que seu lugar não era a seu lado.
E ela ia buscar a felicidade.
Longe dele.


8 comentários:

  1. Oiee.. estou fazendo nosso primeiro sorteio no blog e gostaria muito q participasse:
    http://lililuanluiz.blogspot.com/2011/11/uhuuuu-sorteio-no-blog-eba.html
    Bjinhos Lili do Luanzinho

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  2. achei triste, como toda despedida.
    Mas o tempo é capaz de transformar um amor em carinho...e apenas lembranças...

    Tenha uma semana maravilhosa!!!

    /(,”)\\
    ./_\\. Beijossssssssss
    _| |_…………….

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  3. Adorei o conto! Muito real a maneira como vc transmitiu o sentimento de despedida! Que talento!

    Bjs
    Ia

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  4. Lindo o conto, Ka... Tem fundo de verdade, ne? So quem ja passou por isso sabe descrever tao bem!

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  5. Essa é minha amiga talentosa!
    Vc sabe que adoro ler o que vc escreve porque vc escreve MUITO BEM.
    Adorei o conto. Quase chorei, confesso. Mas amei.
    Continue com os contos, pois eu gostei da ideia! =D

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  6. Micha, é meio triste, mesmo... mas...

    Ia, obrigada pelos elogios. Te conto um segredo: é um pouco real, sim!

    Lu, flor, obrigada! Vindo de você considero super franco. E tem fundo de verdade mesmo. Cê sabe.

    Dany, minha querida amiga!!!! Coisa boa ler sua mensagem. Você sempre do meu lado. Paceirona!!!
    E, como disse, tem um pouco da minha história aí.

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  7. Adorei, principalmente pq vivi uma história muito parecida o final do reencontro foi o mesmo... caminhos desiguais, foi bom enquanto durou!
    Bjos Karine otima semana pra vc.

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  8. Muito, muito bom mesmo!
    Quero ler mais!!

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