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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Game over ou pelas tabelas


Ontem, vi essa imagem no Facebook e lembrei-me de muita piadinha que escutei da família do meu ex. Que raiva! Só que essas pessoas não possuem a menor ideia do que é sair do conforto da sua casinha, pegar um avião, atravessar um oceano e dedicar-se AO MESMO TEMPO a uma nova vida, a novos amigos, a um novo ambiente - muitas vezes, duro- e a uma tese doutoral. E, claro, a tudo que está inserido no meio acadêmico (anota aí: aulas, projetos, artigos, congressos...). Alguém se lembrou de vida social? Porque, né?, a gente não quer só comida... E eles pensa(va)m que é fácil. Aliás, pra quem pensa já aviso: não é fácil! É uma barra de verdade.

Tudo isso pra dizer que essa brincadeira de Mulher Maravilha cansou, sabe? Acho que já deu. Não aguento mais. Não posso mais! Não quero alguém que me ajude. Quero apoio. Uma mão amiga. Um carinho. Um abraço. Quero chegar em casa e ser recebida com um abraço apertado. É... tô assim.

Mil coisas pra fazer e tudo sozinha. Minha casa está uma loucura. E olha que meu apê é minúsculo. Tenho que começar a sessão desapego: separar o que vou levar ao Brasil, o que vai ficar guardado na casa de um amigo e o que vai pro lixo. Cadê a vontade? A louça acumula, a poeira já tomou conta dos móveis, roupa suja pra dar e vender... e não tô com o menor saco de colocar tudo isso em ordem. Ontem, achei uma teia de areia cheia de pó que vinha da janela à tv. Não havia chegado a esse ponto nunca. Respirei fundo. Arranquei a teia do lugar. Quase chorei.

Chego em casa morta. Tenho que preparar meu jantar e o almoço do dia seguinte para levar à universidade. Há dias em que estou tão cansada que quando chego da rua já tenho na mira lanches rápidos: bolinhos, leite e chocolate. O almoço, nem faço. Ontem, preparei uma tortilla mexicana safada pra hoje e jantei um macarrão esquecido na geladeira. Não estava com vontade. Não tomei banho quando cheguei. Não escovei meus dentes. O máximo que fiz foi tirar a maquiagem e lavar o rosto. E cama. 

Tenho pendentes uma ida à Extranjería (a Polícia para os estrangeiros). Uma fila imensa só para uma pergunta. Tenho que ir à Seguridad Social, (o INSS daqui) também para uma pergunta. Outra fila imensa. Ambos só funcionam no horário da manhã. Ou seja, tenho que dispor de duas manhãs para isso. Saco, cadê?

E a vida social? Sábado passado marquei um chopp com os amigos. O celular tocou. Não atendi. Estava morta no sofá. 

Ah, já me esquecia. Estão na fila uma resenha, um artigo e a coitada da tese. E uma reunião com meu orientador. 

Quem aguenta com isso?
Alguém me dá um abraço?