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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

C'est la vie!

Estou trabalhando numa escola de ricos. De gente muito rica. Da nata carioca. 
Lá, há uma peça rara que nunca pode fazer as avaliações em sala porque ela tem problemas de ansiedade e de concentração consequentemente. E a coordenação deixa-a (oh, Lord!) levar as avaliações para serem feitas em casa. EM CASA.
Um detalhe: já falei que a escola é de ricos, né? A menina, essa de cima, tem uma equipe de professores em casa, de psicólogos, psicopedagogos e sei lá mais o que ajudando-a em casa, num trabalho bem legal à parte. Até aí tudo bem.

Só que ela leva as provas pra casa, lembra?

*******

Na minha, coloquei um texto cabeludo da 2a fase da UERJ. Quase ninguém conseguiu resolvê-lo 100%. Ela, sim. E sabe o que mais?

Com as mesmas respostas do gabarito oficial. E não, eu não sinalizei que o texto era de um concurso. Nada! Mas, ela e o seu professor particular de espanhol acharam as respostas.

Sinceramente? Não sei se posso chamar isso de educação. Me senti mal, como uma prostituta sendo vendida pelo bom dinheiro que recebo nessa escola. E dois bons amigos de lá comentaram-me que não adianta reclamar, não adianta avisar que rolou uma pesquisa básica, não resolve dar outras saídas para essa menina fazer suas provinhas...

O dinheiro manda.


E ponto final.

24 comentários:

  1. Benvinda: esta é minha vida, este é o meu clube.


    Boa sexta, Karine.

    Bjs

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  2. Imagino que para uma ''professora por opção'' (tipo vc, q escolheeeu realmente essa profissão, pelo q parece.. por ideologia msmo) essa deva ser uma situação altamente desconfortável.

    E o pior é q é verdade o q o colega lhe falou: não acho que vá adiantar algo vc avisar na coordenação sobre a menina... mas.. talvez... eu tentaria conversar com os pais.. não dizendo o q rolou.. mas sugerindo que, talvez, pudessem começar a deixar a menina pelo menos tentar resolver as provas em sala.. pq, né.. a vida não perdoa.. e se ela não aprender a controlar a ansiedade e ser responsável de pequena, não vai aprender nunca.. e vai sofrer mto lá pra frente...

    aliás, qntos anos tem a 'menina'? tenho a impressão q não menos de 13 anos, né? Que horror... que será q os pais acham q ela vai virar na vida? Sendo tratada com essa mordomia toda? =/

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  3. Karine, nunca passei por uma situação assim, mas juro que te entendo. Em algum momento da vida, creio eu, ela vai ter que caminhar com as próprias pernas. Alguma hora alguém vai fechar a porta na cara dela, a despeito de todo o dinheiro.
    Pena que aí, ela já estará muito mal acostumada, e o ataque de "pelanca" será inevitável. Chamam isso de privilégio? Eu chamo de retrocesso, mas enfim, infelizmente, o dinheiro manda. Triste, isso.

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  4. Olá olha eu aqui de novo no seu cantinho...Eu no seu lugar ao invés de raiva teria pena dessa pobre criatura pq um dia ela terá que aprender a andar com as próprias pernas e ai como é que fica?
    faça sua parte e deixa as pobres crianças ricas aprenderem sozinhas: há certas coisas que o dinheiro não compra para todas as outras existe Mastercard....

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  5. Pois é Karine... no dia que resolverem soltar a mão dessa menina, ela não vai conseguir caminhar sozinha. Os pais devem, de fato, pensar que a estão ajudando.
    Deve ser difícil mesmo pra você como profissional ter que lidar com isso, mas infelizmente quando trabalhamos em instituições, muitas vezes temos que trabalhar "engessados". Concordo com os seus amigos que reclamar não vai adiantar. Fazer o que?!? Bom fds!

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  6. Meninas lindas!!!!
    Confesso que fiquei decepcionada com o resultado da avaliação da menina. Entrei na escola substituindo outra professora. Estou lá há pouco mais de 2 meses, apesar de já ter trabalhado lá em 2007, antes de ir embora pra Zoropa.
    A palavra para o que senti quando vi a cópia do gabarito da UERJ foi DECEPÇÃO porque, claro, havia uma treta ali, uma mentira, uma manipulação da menina com a sua doença ou como vocês quiserem chamar tal "necessidade".
    De fato, não vale a pena lutar, buscar uma solução. O processo ali está estacionado e, como disse uma amiga coordenadora de lá, porém de outro segmento, a nossa coordenação abre as pernas a tal ponto para crianças a$$im.
    Então, como bem disse meu amigo, preciso pagar minhas contas (que já chegaram) e eu tenho que aguentar isso porque não vale a pena. O dinheiro fala mais alto!

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  7. Azar o dela! Ela so esta enganando ela mesma... porque mesmo que depois ela entre numa faculdade particular, tenha cursos pagos e tudo mais, no fundo ela NAO sabe de nada...

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  8. gente que odio! ja fui orientadora educacional de uma escola privada de ensino medio e existiam vaaaarias diferenciações. gente que implorava por uma bolsa e no fim trancava a matricula e gente que...sinceramente, a unica virtude na vida era o saldo dos pais. junte seu dinheiro e em paralelo vá fazendo seus outros movimentos, isso é muito desgastante!

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  9. É Karine infelizmente essa é a cultura do país onde o dinheiro compra tudo onde até o sistema educacional é vendido.
    Mas o que me deixa mais passada são os pais permitirem isso, juro que não entra na minha cabeça.
    Mas vc tá certa, faça o seu pq dela a vida se encarrega.
    Bjkss

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  10. Oi Karine, depois de tudo o que foi escrito, fica apenas a seguinte pergunta: O que é um professor de escola particular, senão um vendido??? Não apenas nesses aspectos, como na escolha dos conteúdos, das avaliações, do material didático e prioridades.

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    1. Olívia, discordo muito de você. Não acredito que isso seja uma constante. Como da mesma maneira que não podemos viver de ideais porque, caso contrário, nesse país a gente morre de fome.

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    2. Oi Karine, desculpa a demora para respnder, mas é que eu olhei isso aqui ontem, li os outros comentários e não vi a sua crítica. o.O
      Então, a minha experiência com cursinhos e pais de alunos mimados é muito ruim. Eu vivia pressionada pelas exigências de um ensino voltado para a aprovação nos vestibulares e muitas vezes me sentia injustiçada por algumas queixas. Aprovar um aluno que não tinha condições de ser aprovado pra mim era uma violência. Eu ficava terrivelmente contrariada. Mas como a escola também depende das mensalidades, não podia tratar todos com muito rigor.
      Essas queixas tbm são muito comuns entre meus amigos que ao contrário de mim que desistiu, continuam lá pelo motivo que você disse, eles tem contas para pagar e não estão afim de passar fome em nome dos ideais.
      Talvez eu fosse menos radical se só tivesse essa opção como fonte de sustento. Não sei....
      Mas na época eu me sentia vendida, desvalorizada e pouco estimulada. Talvez a vida tenha que bater mais na minha carne para eu dar uma amaciada. Assumo meu radicalismo!
      Beijos

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  11. Tô CHOCADA!!!!!!!!!!! Mas realmente não tem o que VOCÊ fazer se a escola aceita isso!
    Nossa tenho nem o que falar de tão em choque que eu tô!

    Beijos saltitantes
    Boa semana

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  12. Puxa, Karine, trabalho num escritório de gente rica, e "vejo sua aluna" todos os dias aqui.
    E, meninas, sinto informá-las: os pais dela nunca vão soltá-la pra ela se virar sozinha. Se acontecer como acontece na família dos meus chefes, quando ela ficar solta, já estará suficientemente rica pra não precisar - como todas nós precisamos, pelo jeito - se esforçar pra conseguir as coisas. Gente rica presenteia os filhos com coisas bem grandes, como uma construtora - pra citar o exemplo dos meus chefes.
    E daí, se a pessoa já recebeu tudo construído, a máquina funcionando e gerando dinheiro, parece que não precisa de muito conhecimento pra administrar...
    Quer dizer: EU acho que precisa, acho que, se a pessoa não se esforçar, termina fazendo só cagadas e perdendo todo o dinheiro, mas a realidade que eu vejo aqui - e que é totalmente oposta ao que eu me esforço pra fazer na minha vida - é que, gente rica continua rica simplesmente por conviver com gente rica.
    Aff... que confuso ficou esse comentário meu! Espero que entendam o que eu quero dizer!
    Beijos

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  13. Lamentável a atitude dos pais dessa menina... alguém comentou alguma coisa sobre o que será da vida adulta dela, rica como ela é, acredito que não sofrerá tanto. Vai viver num mundinho particular e muito provavelmente ainda consiguirá procriar....

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  14. Triste, né??
    Infelizmente o dinheiro sempre falou mais alto e sempre irá falar.
    aff.
    Entendo o seu sentimento. Fazer o q, né?

    Beijoss!

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  15. agora me diz como q uma criatura dessas vai descobrir que dinheiro não compra tudo se, aparentemente, até agora tem comprado?

    q triste q vc tenha q lidar com isso =/

    bjão

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    1. Di, minha flor, na verdade, triste é que essa menina vai fazer faculdade, vai sair da bolha onde ela está.
      Eu tenho que aprender na porrada a ser menos estressada com essas coisas!

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  16. Estudei numa escola de freiras durante 6 anos (da 3ª à 8ª série) e, apesar de todos os problemas que a escola apresentava, tive uma boa educação. Os professores comumente tinham mais voz e razão do que os alunos, independente da conta bancária dos pais. Quem não estivesse satisfeito, que buscasse outra instituição, coisa que raramente acontecia, porque os pais sabiam que se tratava de uma boa escola.
    Essa instituição que você trabalha tem o perfil de muitas universidades privadas que conheço e não de uma escola. Entendo a sua frustração, porque, como professora, você deve pressupor que a escola tenha o papel de educar de fato, de mostrar valores, de formar cidadãos e não apenas de enfiar o conteúdo nas cabeças das crianças e dos jovens.

    Realmente, triste. Mas como muitos disseram acima, um dia, talvez, ela precise aprender a caminhar sozinha e a lição não será nada fácil.

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  17. Não esquenta,não. Ela não vai trabalhar nunca, vai ter tudo de mão beijada e vai continuar vivendo em seu mundinho particular!

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  18. É realmente um absurdo né?
    Impressionante como as pessoas acham que o dinheiro manda em tudo...

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  19. To bege!!! Como a menina pode levar a prova pra casa? E pra tu ver como ela é burrinha nem pra dar uma disfarcada erra umas questoes, nao ela vai la e gabarita!!!

    Essa ai vai longe.. só que nao! Ainda bem que ela é rica.

    Beijao!!

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  20. Pior do que falta de material de trabalho, de turmas lotadas, de ter que falar alto na sala de aula usando as cordas vocais no limite é essa sensação de impotência frente ao esquema pagou-passou.
    É desmotivante mesmo Karine! É dizer de outra forma que o trabalho do professor é um zero à esquerda, não vale nada.
    Tive o desprazer de ter um exemplar desses numa turma. Além do fator dinheiro, a criatura, que na época tinha apenas 12 anos, já era campeã da prepotência e do preconceito. Basta dizer que durante o tema 'animal de estimação', a criatura citou a empregada da casa como animal favorito dela. É o fim!
    Um grande abraço,
    Lu

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