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terça-feira, 22 de janeiro de 2013

No café da manhã

E eis que hoje tive uma conversa daquelas com a vovó Sheila. Ela sabe da minha empolgação com a viagem, que meus planos não estão dando muito certo e, claro que, como mãe, ela repara que minha cabeça não está aqui, que minha (re)adaptação está mais difícil do que se imaginava, que minha cabeça não é a mesma de 5 anos atrás e que já não sou a mesma. Ela está reparando que sou uma estranha no meu próprio país, com a minha família e minha sociedade. Não posso me queixar do meu modus vivendi aqui no Rio, mas falta alguma coisa. Eu sinto isso. Ela sente isso. Não tem a ver com o navarro ou amores perdidos. Tem a ver comigo, algo meu e pessoal. Brasil é meu reino, meu país e minha casa. Porém, a realidade que vivo está sendo muito dura. Nem minha pele está gostando.

Tudo começou quando comentei-lhe que ontem passou um programa na Band em Madrid. Enquanto contava-lhe isso, meus olhos encheram-se de lágrimas. E ela se deu conta, claro! E me disse:

Você deveria voltar a morar na Espanha, minha filha! Deveria buscar um emprego por lá. Você tem que ir onde estará mais feliz.

Eu chorei. Chorei porque mais uma vez minha mãe dá sinais de ser MÃE de verdade, de saber que, embora sinta saudades dos filhos juntos, ela sabe que o meu melhor talvez não esteja aqui -talvez esteja a 8 mil km de distância dela. E ela abriria mão de ter a sua filha a seu lado só pra vê-la feliz.

****** 

Sim, eu tenho vontade de voltar a morar na Espanha. Porém, o país está em crise e não há sinal de que o cenário mudará tão cedo. Está difícil para os próprios espanhóis e para os que lá já tinham sua vida estabilizada. Não tenho coragem de tentar a sorte assim na cara grande e sem uma coisa certa. Nem pensar!  Muita gente me pergunta se eu quero voltar e minha resposta é óbvia. Mas, não é fácil. Não é fácil estar sozinha num lugar diferente do seu. Não é fácil estar longe da sua família. Não é fácil ser estrangeira num país como a Espanha. Sofri na pele e vi amigos meus sofrendo por causa desses temas. E não tenho estômago para isso, principalmente para a xenofobia. Esse é um sapo que não consigo engolir fácil. Fiz bons amigos e muitos me tratam bem até hoje e estão ansiosos com a minha viagem. Muitas pessoas abraçaram-me e abriram-me suas portas. Mas, passaram pela minha vida pessoas mais fodidas que eu e com um nível de instrução de dar pena, porém com uma língua afiada  que arrancaram lágrimas tanto minhas como da minha mãe e isso eu não quero viver de novo.

Já dizia o poeta que o futuro a Deus pertence. Vamos ver. 
Vontade não falta e isso é fato!



12 comentários:

  1. Acho que te perguntei num comentário se vc não gostaria de voltar a morar na Espanha. Tá respondido.
    Sinto muito pelo que você está passando. Não imagino como é. É aquilo de querer estar lá e aqui, com a família. Estranho, muito estranho.
    Espero que, com o tempo, você volte a se acostumar com as coisas aqui. Espero que você encontre sua felicidade de verdade.

    "It's a funny thing about comin' home. Looks the same, smells the same, feels the same. You'll realize what's changed is you."

    Benjamin Button

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    1. Dany, obrigada pelo seu conforto. É difícil mesmo. Diria que é bem mais complexo do que imaginamos.
      Mas, pouco a pouco.

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  2. Ai Karine, me deu um aperto na garganta esse seu post!
    Ontem mesmo vi na TV uma reportagem onde mostraram várias cidades espanholas e, consequentemente o reflexo da crise nelas. Foi de cortar o coração! No seu lugar eu tb não arriscaria voltar para a Espanha, não agora no meio deste furacão todo. Você está vivendo um choque cultural e a atitude da sua mãe foi digna de mãezona!!Espero que você encontre em breve o seu caminho. Bjs

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    1. Minha mãe é nota mil sempre. E ainda vivo um choque cultural há 8 meses. Cada vez que vivo ou presencio algo, fico louca e entro num looping eterno de questionamentos sem fim.

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  3. Eu entendo perfeitamente. Eu quero tanto voltar a minha vida, a vida que eu tinha em outra cidade, sim só em outra cidade. Mas a situação está braba, não vou me arriscar em aluguel, e emprego novo bla bla bla. Ai menina!!! Você se sente sem asas igual a mim? eu me sinto colada com super cola.

    Mas assim, se você voltar para lá, para qualquer coisa, compra aquelas gravuras de dançarina espanhola e manda por meu nome? Meu nome é Patrícia Cristina, pode colocar só Patrícia. e manda para mim???? Eu tenho loucura para ter um quadro desses, mas minha amiga, que morou em Madri, voltou e não me trouxe. Hunfs!!! (bela amiga hahahahaha)

    Tenta ficar com o coração e a cabeça em paz. Tudo vai dar certo!!!

    Bêjo da Cris

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    1. hahahahahahahaha tadinha! Isso traumatiza mesmo.
      Mando um cartaz daquele pra você, sim. Aqui em casa tem um lindo que comprei em Bilbao, mas é de uma feira que acontecia em 1900 e antigamente. É tão baratinho. Caro foi emoldurá-lo.



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  4. Ue, voce vai viajar, Ka? Vai voltar pra ca pra defender? quando?

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  5. olha carine. as coisas realmente são complicadas, vc fica meio la meio ca. mais se as coisas melhorarem na espanha, volte pra la, e seja feliz, se la é o seu lugar. te desejo toda sorte e força pra continuar seguindo.

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  6. Karine

    Não se afobe não. Como diria Guimarães Rosa:

    "O correr da vida embrulha tudo.
    A vida é assim: esquenta e esfria,
    aperta e daí afrouxa,
    sossega e depois desinquieta.
    O que ela quer da gente é coragem."

    Meu avô, homem vivido, dizia que não existe bem que nunca se acabe, nem mal que nunca termine. Ele tinha razão.
    Força aí! Estou na torcida!

    Bjs

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  7. eita, imagino seu dilema...q vc consiga o sonha/deseja/precisa o mais breve possível.

    xenofobia, como qq outro tipo de preconceito, é algo nojento...

    boa sorte!

    Beijosssssssssssssssss
    ┌──»ʍi૮ђα ツ

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  8. AI AI, nem digo nada, pq né sou suspeita!
    Só vou torcer e rezar para Deus te dar o caminho!!!

    Ps: que bom que vc tem uma mãe tão boa! Isso já é metade dos milhões de quilometros!

    Beijos saltitantes
    Bom restinho de semana

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  9. Olha, de verdade, eu acho que você deve tentar (sim, eu digo tentar porque nem sempre adianta só a gente querer, mas tentar é o começo de tudo) fazer aquilo que te faz bem, que te faz feliz, que acalenta o teu coração. E talvez a tua felicidade, independente de quem esteja por lá, seja mesmo na Espanha, e não aqui. Há uma possibilidade, há uma chance? Se houver, pense a respeito, pese os prós e os contras, veja o que vai te deixar melhor. Tudo aquilo que estiver ao nosso alcance, em busca da felicidade, a gente tem que fazer. Eu ultimamente vivo estressada, mas tenho recebido de todos os lados sinais de que a gente tem mesmo é que priorizar a nossa felicidade, claro, não em detrimento de outros, mas como uma maneira de nos amarmos mais e vivermos bem melhor.
    Teu post me emocionou, porque me fez rever alguns aspectos da minha vida onde talvez, o lugar seja - quem sabe - o que me deixa não tão feliz. Ainda que, como você falou, nada disso seja fácil. Mas, quem sabe a gente encontra o caminho?

    Beijo grande acompanhado de abraço de ursinho (sim, pq sou pequenininha, hehehe)

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