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sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Meus ídolos aos (quase) 34 anos

Meus ídolos sempre foram os mais normais, os mais clichês e os mais comuns de sempre. Quando adolescente, era fã da Madonna. Hoje ainda gosto, curto suas músicas, mas nada como antes quando me descabelava, colecionava seus discos (naquela época, não havia cd!) e as reportagens que saíam sobre ela. Fazia meu pai cortar o Rio de Janeiro inteiro atrás de uma revista. E ele ia, coitado!!!!

No ano de 1993, ela pisou pela primeira vez no Brasil. Apresentou-se no Maracanã com a sua turnê The Girlie Show. E eu chorava feito uma bobona ouvindo tudo pela Transamérica FM (ainda existe?). Meu pai se negava a levar-me. Justo ele que já foi a inúmeros shows de rock comigo, negou-se a aguentar um Maracanã lotado para ver a MADONNA, cara!!! MA-DON-NA, porra!!!!! Chorei. Muito. Na segunda-feira seguinte, na escola, minha amiga como prêmio de consolação, levou-me um copo que o irmão trouxe do show. De plástico. Pensa bem. UM COPO DE PLÁSTICO E UMA FITA MAL GRAVADA foi o que eu tive daquele show. Ah, é. Eu gravei o show e escutava tudo todo o santo dia. Até que um dia minha prima sumiu com a fita e eu quase arranquei seu fígado.

Há pouco tempo, ela veio à Espanha, fez um show em València e eu nem me cocei. Já entrei na fase de odiar as multidões. Seus discos, aqueles que eu colecionava, foram doados quando ganhei meu CD Player. Pra que eu queria disco de vinil se poderia ter cd? No final, nem cd e nem disco. E sobrevivi a tudo isso. Joguei fora aquelada papelada já amarelada que ainda insistia em colecionar. E minha mãe agradeceu. Ah, e meu pai adorou!

Hoje, com meus quase 34 anos, meus ídolos receberam formas distintas. Já não acho tão legal a performance sexual da Madonna e suas apresentações insinuantes. Já cansei, sabe? Já está chata. Inclusive, suas músicas mais recentes me parecem cansativas demais.

Hoje, meus ídolos são duas pessoas amáveis e adoráveis. Um casal de professores da área de Literatura Espanhola. Espanhóis. E tenho uma história interessante pra contar sobre isso. Porque agora sou A-MI-GA do casal. Com direito a telefone particular e tudo na minha agenda. HÁ!

A minha admiração por eles começou há bem pouco tempo. Aliás, fui envenenada pelo meu último namorado que era aluno deles na universidade onde estuda(va?). Ele se tornou "amigo" do casal, principalmente da mulher e, por causa dele, passei a apreciar os dois.

Um belo dia, fui a um congresso em Poitiers, na França. E no programa havia duas pessoas com o mesmo nome (ai, esse costume espanhol onde os filhos possuem o mesmo nome dos pais...), com os sobrenomes do casal, sendo uma com o sobrenome dele e o dela. Pensei: quem é a professora dessas duas? Inclusive, uma dessas duas ia ser a minha moderadora na mesa. No dia da minha apresentação, vi que era a mãe. E quase caí preta e dura no chão! A outra era a filha que também expunha um trabalho no congresso.

Durante um passeio pela cidade, sentei-me com uma amiga que sempre encontro nesses congressos desde que vim pra cá e, com ela, estava a filha do casal. Ela possui o nome da mãe e o sobrenome dos dois, claro. Pronto. Confusão encerrada! Nem sabia que ela era filha deles. Fiquei conversando com as duas, rindo, brincando... e logo ela diz: meus pais estão cansados e não quiseram vir a este passeio, preferiram ficar no hotel... e eis que pergunto (sim, curiosa pra cacete!) quem eram seus pais.

O mais engraçado foi saber quem ERAM SEUS PAIS. E eu, com aquela cara de idiota, chocada, achando que estava tendo uma alucinação, como se estivesse falando com a filha de um casal popstar, mega famoso no mundo, estava vendo a hora de pedir um autógrafo. Sério! Situação no mínimo esquisita, eu sei. Ela viu minha euforia com a notícia e ficou sem graça comigo. Mas, estava verdadeiramente emocionada de estar conversando com a filha do casal por quem tenho um carinho tremendo.

Saímos nós três à noite para conversar e comer uma pizza. Ela, a Amiga e eu. E conversamos e abrimos nossos corações e choramos juntas. Vi que ela, a filha, passa pelo mesmo problema que passei há 7 anos atrás. E me deu dó porque me vi nela. E isso nos uniu bastante. E lhe dei conselhos e conversei e escutei suas penas. 
No dia seguinte, dia da minha apresentação, a professora queria saber quem seriam as pessoas com quem ela apresentaria o trabalho. Um amigo da universidade me (re)apresentou a ela. Aproveitei a (re)apresentação (quando esse meu último namorado apresentou-se ao casal, eu entrei na onda e apresentei-me a ela. Mas, sabe como é cabeça de professor, neam?) e disse-lhe que era eu quem estava com a filha dela na noite anterior. Pronto! A minha ídola virou minha fã pelos conselhos dados, pelo carinho de escutar, de refletir com a filha... Ela a-do-rou! E meu coraçãozinho chorou de emoção!!!

Hoje, ela e eu somos grandes amigas. A filha e eu. Fizemo-nos amigas. Naquele dia, seus pais, meus ídolos, me convidaram para almoçar. Infartei três vezes sentada à mesa com eles. Não sabia se ria, se falava, se comia, se pedia um autógrafo. Tá, mentira a parte do autógrafo. Mas, estava mega nervosa com o casal ali diante do meu nariz. E, no final, dei-lhes um abraço, ele me deu um beijo na bochecha e ela me disse que se eu precisasse conversar ou se um dia fosse a Madrid, que ligasse para ela. Hãããããããããããããã? Infartei de novo. E fui embora do almoço toda orgulhosinha de mim mesma. Alguns dias depois, fui a Madrid. Estive com a filha. A mãe, minha ídola quase foi ao encontrinho. Não pôde. Oh, pena!

Agora, cá pra nós. Quem é Madonna? Aquele ser inatingível, que briga com ela mesma para manter-se jovem, negando-se a assumir suas rugas e seus 53 anos? Que ainda mantém a imagem de mulher sensual e sexual. Cara, que coisa mais cliché e cafona.

Olha, a Professora e o Professor são, sim, meus verdadeiros ídolos. Verdadeiros Popstars na minha vida! Todas as vezes que eu e a Filha nos falamos, a Mãe me manda um recadinho. Inclusive o Pai, todo fofo, me mandou um texto para ajudar na minha tese. E tô quase pedindo a ela que autografe um livro seu. Tô quase.


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